O mais provável é que não passe um dia sem tomar vitaminas ou minerais. Mas quantas vezes já engoliu um comprimido sem saber se o está a fazer no momento mais indicado? Será melhor com comida ou de estômago vazio? Pode conjugar com outros suplementos e medicamentos? A LUX falou com António Hipólito de Aguiar, médico de clínica geral e medicina de longevidade, e tirou todas as dúvidas.
Multivitamínico
O melhor é tomar durante uma refeição ou imediatamente depois. Regra geral, ao pequeno-almoço ou almoço. Se incluir ferro, não deve ser tomado juntamente com café, chá ou grandes quantidades de cálcio, porque podem diminuir a absorção do ferro. Quanto a tomar em conjunção com outros suplementos, normalmente não há problema, mas é importante verificar a composição para evitar duplicar doses, devendo ter especial atenção às vitaminas A, D e E que, ingeridas em excesso, podem causar alguma toxicidade.
Vitamina D
mente após uma refeição que contenha alguma gordura porque, como é uma vitamina lipossolúvel, necessita desta para ser absorvida. O principal cuidado a ter é com doses elevadas – para um adulto saudável, a referência habitual é 15 μg (600 UI) por dia – em conjunção com alguns medicamentos, nomeadamente orlistato, certos diuréticos, esteróides e alguns medicamentos para o colesterol.
Vitamina C
Se provocar desconforto no estômago, é preferível tomá-la com uma refeição, mas pode ser tomada com ou sem comida. Não existe uma hora do dia mais apropriada. Para adultos, a ingestão recomendada é aproximadamente 75 mg/dia para mulheres e 90 mg/dia para homens. Quem fuma necessita de mais cerca de 35 mg/ dia. Se estiver a tomar ferro, pode ser útil tomá-lo juntamente com vitamina C, uma vez que esta aumenta a absorção do ferro não-heme. Deve haver cuidado com doses elevadas em pessoas com determinadas condições e com alguns tratamentos, incluindo terapêuticas oncológicas.
Ómega-3
É melhor tomar com uma refeição que contenha gordura. Aliás, tomá-lo com comida também pode diminuir efeitos como refluxo, náuseas ou o conhecido ‘arroto a peixe’. Para suplementação geral, é comum utilizar-se uma dose na ordem das centenas de miligramas de EPA + DHA por dia, mas doses maiores são utilizadas para objetivos específicos e devem ser individualizadas. É particularmente importante ter cuidado com doses elevadas de ómega-3 se estiver a tomar anticoagulantes, como a varfarina. A FDA [Food and Drug Administration, a entidade norte- -americana que regula a alimentação e os medicamentos] considera até 5 g/dia de EPA + DHA provenientes de suplementos como um limite de segurança quando usados conforme recomendado.
Vitaminas do complexo B
A recomendação é tomar de manhã, com o pequeno-almoço, sobretudo porque algumas pessoas sentem náuseas se as tomarem em jejum. Não obstante, as vitaminas B são hidrossolúveis e, em geral, podem ser tomadas com ou sem comida. As necessidades dependem da vitamina em questão. Por exemplo, um adulto necessita aproximadamente de 1,1–1,2 mg de B1, 1,3 mg de B6 (mais em algumas situações), 400 μg de folato e 2,4 μg de B12 por dia.
Magnésio
Pode ser tomado com ou sem comida, e a qualquer hora, mas é recomendável fazê-lo com uma refeição, sobretudo se provocar desconforto intestinal – doses elevadas podem provocar diarreia, náuseas e cólicas. E é importante separar o magnésio de alguns medicamentos, nomeadamente determinados antibióticos e bifosfonatos (usados para o tratamento da osteoporose), porque pode diminuir a sua absorção. Deve fazer-se, pelo menos, duas horas de intervalo após a toma dos bifosfonatos orais. Já com determinados antibióticos, é necessário um intervalo semelhante ou maior.



