Ator, humorista, argumentista, realizador e apresentador brasileiro, Fábio Porchat, que conhecemos do projeto Porta dos Fundos, está em Portugal para a digressão de Agora é que São Elas!, espetáculo que escreveu e encenou e que reúne Júlia Rabello, Maria Clara Gueiros e Priscila Castello Branco em nove sketches e mais de 20 personagens. A LUX conversou com o ator no evento de apresentação da nova temporada da TV Globo, que exibirá o seu programa Que História É Essa, Porchat?, baseado em histórias pessoais contadas pelos convidados.
Fábio continua a apostar no humor como forma privilegiada de comunicar. “Com o humor conseguimos dizer qualquer coisa e fazer com que chegue mais longe”, defende. Na sua perspetiva, quando alguém ri, baixa a guarda e fica mais disponível para receber uma determinada mensagem. “Primeiro rimos, e só depois pensamos. Quando nos rimos, abrimo-nos mais. O humor é, de facto, uma arma muito poderosa”.
É também por isso que o humorista considera importante acompanhar as transformações da sociedade. Questionado sobre a existência de limites para a comédia, rejeita a ideia de que o humor deva ter regras próprias diferentes das aplicadas às restantes formas de expressão. “Eu acho que não deve haver limites para nada. Não perguntamos a um romancista se há limites para o drama. Há limites para a ficção científica? Para a poesia? Não há limites. O limite é a Constituição. O que diz a Constituição de Portugal? Esse é o limite para o cidadão, para o escritor, para o comediante, para o médico, para o publicitário”, afirma, defendendo que a comédia deve acompanhar a evolução da sociedade.
Essa adaptação não significa, para Porchat, deixar de fazer humor. “O mundo é outro, estamos a passar por diversas transformações, muito necessárias, e é sempre bom pensar antes de falar”, explica. “Isso não significa uma autocensura, mas uma adaptação ao que está a acontecer nos dias de hoje.”
A relação com o público português é outro dos temas que o entusiasmam. “O público português surpreende-me sempre”, confessa, reconhecendo a proximidade que sente por parte dos espectadores em Portugal. Também destaca o conhecimento que os portugueses têm da realidade cultural brasileira. “O público português está muito conectado com o que está a acontecer no Brasil.”
Essa ligação tem levado Porchat a procurar também uma maior aproximação entre os dois países através da comédia. Nuno Lopes, Salvador Martinha, César Mourão, Gabriela Barros, Ana Bola e Eduardo Madeira são alguns dos artistas portugueses com quem já trabalhou. “Queremos levar estes nomes para que o público brasileiro também os conheça”, explica. E será que, depois de tantos anos a trabalhar com humor, ainda se consegue rir das próprias piadas? “Se deixar de me rir do que digo, o público também não se vai rir”, afirma. Na vida quotidiana, aquilo que mais genuinamente o faz rir é bem mais simples. “Pessoas a apanhar sustos. Amo ver”, revela entre risos. E quando não está a criar? “Não existe. Estou a criar o tempo todo. Estou a ter ideias, estou a pensar o tempo todo. Talvez quando esteja a dormir… É isso, o Fábio que não está a criar está a dormir [risos].”



